terça-feira, 20 de setembro de 2016

SORRIR NO VAZIO


Naquela manhã acordei sorrindo.
Na noite anterior tive uma experiência incrível. Digamos que foi a melhor noite de toda minha vida. Eu tenho 27 anos. Eu fecho meus olhos e relembro de tudo. Não consigo conter, tenho que sorrir mais... Levantei da cama, e fui direto ao banheiro para jogar água gelada no rosto, tenho que ter a certeza que não foi um sonho.

Antes de sair, tomei um café reforçado. Comi dois pãezinhos com manteiga, bebi um pouco de leite, além do bolo maravilhoso de maçã. Um dia perfeito para uma noite como aquela. Peguei meu carro, notando que até o trânsito estava favorável, deve ser a minha energia positiva. Tenho que viver a vida, como fiz na noite anterior. Aqueles gritinhos me arrepiam todo, porque teve grito mesmo? Não importa! Eu vivi.
Cheguei mais cedo no serviço. Vou ficar no carro pensando. Gostaria de sair deste carro, correr pela garagem da empresa, ir para rua, e explodir de felicidade, eu consegui, eu consegui, acabou a desilusão, a depressão, aquela dor que matava meu coração. Estou sorrindo. Minha melhor noite. Porque não fiz isto antes, eu teria sido mais sonhador, um transformador no ato de viver. Aceitei esta merda de vida, acatei o cotidiano.
Não ligo, ontem eu fiz tudo diferente, fui gente, sorridente.
Preciso sair deste carro e ir para o escritório. Hum... Desta vez eu posso ser louco, vou faltar. Liguei o carro. Estou tenso, dane – se. Eu vou viver como ontem. Droga, trânsito em frente ao prédio que eu trabalho, ah, nada vai atrapalhar minha fuga, vou sair deste veículo e abandona – ló...
Estou correndo. Estou vivendo. Sem medo e sem segredos eu estou sendo eu.
O que isso? Uma moça sendo assaltada, preciso ligar para polícia. Não, não vou ligar, eu vou lá e salva – lá.
Hei, você aí... Solte – a.
Não tive muito tempo para reagir, o rapaz que assaltava a moça, virou rapidamente e em um movimento brusco, atirou contra meu peito, o impacto me fez cair no chão. Não sei o que fazer, está doendo, meu sangue sai compulsivamente do meu corpo, estou perdendo as forças. Meu último ato, foi uma burrice. Minha última memória, minha noite anterior.

Estou sorrindo, eu vivi. 
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2 comentários:

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    1. Ahhh... que nada! Um pequeno devaneio sem teor de amplitude...rsrs

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