terça-feira, 8 de novembro de 2016

O ETERNO - CAP 3



Horas depois a moça acorda.
Não se lembra de muita coisa. Recorda – se que momentos antes levou uma pancada muito forte na cabeça. Seus olhos ainda pesados, se abrem aos poucos. Percebe que não está mais no chão e sim na cama, nota que suas mãos e pés estão amarrados, tenta levantar mais não consegue, sua cabeça ainda dói muito e não tem força.
Ouve barulhos de alguém subindo.
Parou por um instante o som de fora do quarto. Tempo suficiente para a mulher visualizar que está vestida e banhada. Não se recorda como foi parar ali.
Barulho na maçaneta. Vozes.
—“Porra” Mamãe! Já disse várias vezes é uma amiga, quando ela estiver melhor vai embora, te prometo.
Vozes silenciaram.

Ouve barulhos de alguém descendo.
A moça tenta se soltar novamente, em vão, suas mãos estão fortemente amarradas. Aos poucos sua mente vai liberando algumas imagens, a memória tenta mostrar o que aconteceu...
A dois dias atrás, estava depressiva, seu antigo namorado terminou uma semana antes, justificando que precisava viver novas experiências e com ela não conseguia mais sentir o tesão de viver. Chorou muito, se culpou, culpou o ex, ouviu amigos e inimigos, leu e assistiu filmes românticos. Suas frases prediletas pela manhã eram:

“Sentimento de “merda”, “caralho” de vida, se realmente existir outras reencarnações, espero que os amores sejam mais recíprocos”.

Depois de alguns dias, resolveu seguir o conselho de uns amigos, que afirmaram que quem sofre de amor, significa que não tem dinheiro para gastar com bebida. Naquela noite saiu com uma amiga para beber até esquecer aquele homem. Isso era que ela recordava naquele instante.
Ouve barulhos de alguém subindo.
Barulho na maçaneta. Vozes.
Sim, mamãe. Estou levando café para ela.
A porta se abriu.
Os olhos se cruzaram mais uma vez. Ele tinha brilho. Ela lágrimas.
Oi dorminhoca. Eu trouxe algo para comer.
Coloca a bandeja na cadeira ao lado da cama. Senta na cama e se aproxima. Ela se assusta.
Não precisa ficar com medo. Não vou te machucar. Hoje cedo não tive escolha, eu sei que te deixasse acordada você poderia gritar. Ele vira a cabeça da mulher com carinho, analisa o machucado. Viu!? Já está sarando, nem bati tão forte, nem precisou colocar pontos.
Levanta e pega a bandeja, colocando no colo da moça.
Olha que legal! Eu trouxe, café com leite. Laranja fatiada. Este outro copo é meu, óleo de cozinha. Somente amo.
Sorri para mulher.
Vamos fazer um acordo, eu solto suas mãos e tiro a mordaça da sua boca. Se você gritar, ou chamar atenção da mamãe, eu terei que bater mais uma vez. Quer levar outra pancada?
A resposta foi rápida e negativa.
Ele desamarrou as mãos e tirou a mordaça.
A mulher pegou o copo com café e leite e bebeu tudo, a laranja em seguida enfiou na boca, tinha muita fome.
Ela esboçou algumas palavras.
Quem é você?
O rapaz seriamente olha para ela, se levanta e vai até atrás da porta, pega o seu martelo.
Ela se assusta. Seu corpo treme.
Não se assuste menininha. Não vou te bater. Segurança somente. Caso mamãe entre.
Algo estranho estava acontecendo naquela casa.
Respondendo sua pergunta. Sou Jesus. Este é meu nome, Jesus Salvatorre. Ou como mamãe me chama – “ Jesus o Salvador”.
Um silêncio veio em seguida.
Foi quebrado quando o rapaz bebeu o restante do seu óleo, fazia uma barulho de sucção muito forte.
Como eu parei na sua casa?
Ele se senta na cama ao lado da moça. Tira a bandeja do colo.
Nossa, você acabou com a laranja. Mamãe vai ficar muito feliz. Temos uma plantação de laranja no fundo da casa.
Como eu parei na sua casa?
Ouve – se o barulho do pé inquietante.
Desculpe. Sou muito impaciente.
Levanta – se.
Eu te encontrei quando as nuvens ficaram plúmbeas. Trouxe você para minha casa, claro que sem mamãe saber. Eu tirei sua roupa com todo respeito é claro. Inclusive eu as lavei na máquina. Acabei amarrando você embaixo da cama, porque estou proibido de trazer pessoas para casa, e imagina, eu chegar do nada para mamãe e apresentar minha futura esposa, não posso, tenho que preparar terreno.
Um silêncio veio em seguida.
Em seguida ele amarra novamente a moça e coloca a mordaça.
Desculpa. Vou sair, preciso fazer compra. Mamãe não gosta de ser incomodada por ninguém. Se tiver vontade de urinar ou defecar, fique a vontade para fazer na cama, depois eu troco o lençol e deixo o colchão no sol.
Pegou a bandeja, deixou o martelo abaixa da cama, saiu em seguida fechando a porta.



A moça percebeu que teria que tomar muito cuidado. Nada daquilo fazia sentido. A pergunta que ela fazia, como foi parar naquela casa com aquele homem estranho!

Quer conhecer mais, acesse as outras partes da história abaixo:

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