terça-feira, 31 de janeiro de 2017

EU ABRI A BOLACHA




EU ABRI A BOLACHA...

Peguei o pacote da bolacha. Quero abrir. Vou abrir.
A embalagem resistiu a minha iniciativa. Lutou contra seu destino. Infelizmente eu tenho o poder, a força! Seguido uma tradição histórica, cultural e social, nós devoramos o alimento - A BOLACHA.
Depois de vencer a resistência do pacote de bolachas, não tive pena. Fui CRUEL, SANGUINÁRIO, TORTURADOR E PSICÓTICO.

CRUEL: Não tive dó alguma, peguei a bolacha e com uma mordida coloquei tudo dentro da minha boca, preenchendo o vazio do estomago e da minha existência.
SANGUINÁRIO: Outras bolachas eu mordi de um jeito especial, uma maneira que apreendi na infância, mordo lentamente para o farelo da bolacha cair na minha língua.
TORTURADOR: Com meus dentes amarelos e sujos mordi a bolacha em várias partes. Outras afoguei no café quente e com sua face amolecida ingeri de uma vez...
PSICÓTICO: Nas últimas unidades resolvi dialogar:

 Quer ser mordida?
— Quer que eu te coma?
— Pede para eu te comer? Vai! Pede....

Ao término do pacote tive minha satisfação realizada.
Um barulho estrondoso.

— Droga ela chegou!
— Robertinho!
— Preciso me esconder...
— Robertinho onde está minha bolacha doce?
— Seu moleque, senão aparecer logo contarei tudo para mamãe.
— Oi
— Onde está minha bolacha?
— Eu comi.
— Tudo?
— Sim.

Apenas senti um vento passar pelo rosto, logo em seguida uma sensação de impacto com dor.
Minha irmã me deu um tapa na cara.
Novamente tudo acabou com uma BOLACHA no meu rosto.

  


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