sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

BANHEIRO PÚBLICO - TERMINAL ÂNGELA

No meio da madrugada, sem ônibus e com frio, entro em um banheiro um tanto usável. Claro que já no fim do dia não poderia estar perfeito, mas não era de todo ruim.
No terminal Jardim Ângela com apenas uns papeis no chão e a mistura de odores das próprias pessoas que passaram por ali, não posso dizer que não era limpo.
Não sei, realmente, porque estou tão triste. Isso me enfara; e a vós também, dissestes. Mas como começou essa tristeza, de que modo a adquiri, como me veio, onde nasceu, de que matéria é feita, ainda estou por saber.
E de tanta procura ela me déia , que mui dificilmente credo de que esses poucos momentos possam acontecer.
Vosso espírito voga em pleno banheiro, onde vosso ser vai pela descarga – como banheiros sujos e aparências estranhas, ou qual vista aparatosa distendida no chão.
 Podeis crer-me, senhoras: caso eu tivesse tanta carga para despachar ao mar, as maiores partes das afeições ficariam boiando. A toda hora folhinhas arrancara e desperdiçadas ao chão; debruçado nos mapas, sempre, procurara banheiros que pudessem estar ao menos como este. E sempre me surpreendo quando encontro em um lugar menos provável, na hora menos provável.
Meu instinto, que sempre me decepciona me esfria e entristece, produzir-me-ia febre, ao pensamento dos desastres que uma descarga muito forte pode causar no vaso.

Eis que aqui encontro um digno de ser chamando banheiro, deixai-vos mais disposto, se seres muito dignos não estragar com suas porquices.
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