sábado, 11 de fevereiro de 2017

ENTREVISTA COM A ESCRITORA EURIDICE DA MOTTA ARAÚJO

Euridice da Motta Araujo: " A arte de exteriorizar em verso ou prosa, o que a alma expele em forma de sentimentos".



Essa escritora tem o domínio da vida. Uma mulher cuja obra se resume na palavra arte. Uma artista com dons inimagináveis, onde podemos parafrasear Clarice Linspector : "Não tenho tempo para mais nada, ser feliz me consome" . Diante disso, não perderemos tempo, vamos ler uma entrevista cheia de simplicidade e carisma. Comece o Divã das palavras....



EUDAIMONIA — Você se isola para escrever como alguns escritores?
 Kita — Nem sempre! Já aconteceu de eu estar na rua, e surgir inspiração. Tenho o hábito de andar munida de material para não perder a chance.

EUDAIMONIA — O que é a poesia?
 Kita — A arte de exteriorizar em verso ou prosa, o que a alma expele em forma de sentimentos.

EUDAIMONIA — Quando foi que a poesia entrou na sua vida?
 Kita — Comecei a gostar ainda menina. Eu lia muito J.G. de Araújo Jorge. Com o passar do tempo e com o corre-corre da vida, ela ficou esquecida. Voltou à tona quando fui morar no Pará, em 1992.  Em meio a tanta beleza da natureza, é impossível faltar inspiração.

EUDAIMONIA — O que um iniciante no fazer poético deve perseguir e de que maneira?
 Kita — Leia tudo o que surgir de poesia. Alimente-se dela em todas as refeições. Siga exemplo de grandes mestres.

EUDAIMONIA — Por que começou a escrever?
Kita — Comecei para suprir uma necessidade. Com marido trabalhando muito e filhos morando em outro estado, precisava fazer algo que me desse prazer. Antes da escrita, porém, surgiu o amor pela pintura. Adoro reproduzir a natureza!

EUDAIMONIA — De onde veio a ideia para seus escritos?
Kita — A inspiração surgiu pelo lindo lugar onde eu morava! Um pedaço da Amazônia, rico na fauna e na flora. Foi também uma forma que encontrei de deixar registrada a minha passagem por lá.

EUDAIMONIA — Há um método para se fazer literatura?
Kita — Sendo a literatura a arte de compor em verso ou prosa, e ter a finalidade de recriar realidade, o autor o faz a partir de sua visão baseado em sentimentos. Então que seja fiel.

EUDAIMONIA — Quais autores são referência para o seu trabalho?
Kita — Vejo riqueza em muitos autores, mas, coloco em destaque Cecília Meireles, Fenando Pessoa e Clarice Linspector.

EUDAIMONIA — Como vê a crítica ao seu trabalho?
Kita — Acho muito importante, menos quando destrutiva.  Gosto da opinião sincera e, embora me machuque a princípio, me fará ter mais atenção no que fizer, para obter um melhor resultado.

EUDAIMONIA — Fale um pouco sobre si.
Kita — Eu sou uma mulher comum.  Tenho muitos defeitos como qualquer ser humano, mas também algumas virtudes. Sou muito emotiva; gosto muito de fazer coisas de moleca, quando tenho oportunidade... Como o meu neto costuma dizer; sou uma velha nova... Velha na idade, pois estou quase chegando aos 70; e nova nos pensamentos e atos. Gosto da natureza e de tudo que é belo. Divido o meu tempo entre afazeres domésticos; escritas e pinturas. Volto a frisar que amo reproduzir a natureza!

EUDAIMONIA — Qual ou quais os livros (de ficção ou não-ficção) que mais a marcaram?
Kita — Li muitos bons autores, porém A Ira dos Anjos de Sidney Sheldon; O Mistério dos Sete Relógios, de Agatha Christie e A Cabana, de William P. Young me marcaram bastante.

EUDAIMONIA — Possui novos projetos para livros?
Kita —  Eu já tenho 3 livros publicados, que são: Outono de Prata; Brilhante e Um Grito na noite.
No momento estou providenciando o lançamento do quarto livro cujo título é Um Homem Estranho. Pretendo me dar de presente de aniversário em Maio, esse lançamento vamos ver se rola; não é?! Tenho também preparado um quinto livro que pretendo lançar em dezembro. Este é um livro de contos e poesias. Tinha a intenção de publicá-lo também agora, mas não dá.

EUDAIMONIA — Quem você espera que seja seus leitores?
 Kita — Acredito que o público jovem/adulto se identificará melhor.


Conheça um pouco da autora na sua rede social:

Facebook 
https://www.facebook.com/euridice.silvamottaaraujo

Sua obra UM GRITO NA NOITE
http://livrariaedital.blogspot.com.br/p/catalogo-editora-edital_20.html


ANTES DE FINALIZAR A ENTREVISTA VAMOS LER DUAS POESIAS ESCOLHIDA A DEDO PELA AUTORA:

TREVAS
(Euridice da Motta Araujo/Kita)

A minha mente está tentando envelhecer
Mas não permitirei que tal aconteça.
Como deixar perder na penumbra
Amores conquistados,
Sorrisos encantados
E lágimas construtivas?
Não me permitirei esquecer os que amo
E quão maravilhoso é tudo o que me cerca.
Fincarei diante dela, da mente que prega peças,
Uma tela pintada pelos dedos de Deus.
E nela, todos os detalhes de um mundo construído em alguns dias.
Os anjos barulhentos, desfilando nos ares;
As espigas de milho que descem do sol
Caindo sobre o azul infinito dos mares.
Os mesmos que deslizam sobre verdes, de esperança
Queimam o deserto de areia andante
E alimentam sonhos vagantes.
Mas também fincarei diante da minha mente, entrando em trevas
Um lembrete de que a chuva também tem beleza.
Os arco-iris que a todos encantam
Vêm como presente do Pai
Depois da chuva que irriga o solo
E alimenta a natureza.
Importante detalhe não poderei esquecer;
Continuarei conjugando o verbo amar,
E o farei em todos os sentidos;
Pois é o amor que nos faz viver!

04/06/2016


IDEAL
( Euridice da Silva da Motta Araujo/kita)

Que rufem os tambores!
Foi concedida ao planeta água, liberdade total!
Em todos os continentes se respira felicidade
Sem explosões, fome batendo à porta e gritos de dor
Em todos os cantos se respira amor!

O solo verde e amarelo que reflete no planeta
Agora mostra só alegria.
Não mais rios vermelhos pegajosos, formados pela dor
Nem pessoas exploradas, extorquidas, sem perspectivas
Jogadas ao chão, sem amor.

As caixas de fósforos amontoadas
Que tanto risco traz
Transformaram-se em caixas musicais.
E os ruídos repetitivos das máquinas mortíferas
Silenciou, para alegria geral.

Até no Planalto Central, tudo mudou.
Os que agora lá estão
Fazem um trabalho limpo
Dirigem com o coração
O povo que merece amor.

Agora tudo o que se vê, sobre o solo verde e amarelo
São águas límpidas, de transparente paz,
Carregando flores, de vários tamanhos e suaves cores.
Águas de rios pegajosos vermelhas?...
Nunca mais!
Em 06 / 04 / 2016





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