quinta-feira, 25 de maio de 2017

MÁQUINA DO SILÊNCIO - INÍCIO!



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Cleice! Acorda menina!
Cleice tinha uma grande preguiça para acordar cedo. Infelizmente nos seus 9 anos, ela precisava ir para escola...
Quando demorava para se levantar, alguém muito especial tinha uma missão, lamber o rosto da pequena garota.
Para cachorro bobo, eu já vou levantar.
Quando ela enganava seu cãozinho, ele começava a puxar a calça da sua dona.
Já chega! Eu levantei. Feliz CACHORRO?
Cleice se levantava, tomava banho, comia algo e escovava os dentes, saia em seguida para escola. Seu CACHORRO nesse momento acompanhava até o portão da casa, ali ficava na maioria do tempo esperando a menina retornar da escola.

Fazia pouco tempo que ele morava com Cleice e sua Mãe. Moravam na casa os três. O pai tinha ido embora fazia uns dois anos, desapareceu do nada. No início foi muito difícil para ambas digerirem o que estava acontecendo, o tempo foi passando, e como ele não foi encontrado pela polícia, a rotina da vida retornou. Dois meses atrás, Cleice e sua Mãe andavam pelo parque, elas moravam praticamente do lado deste espaço cheio de verde e um parquinho com areia. Naquele dia, as coisas estavam fluindo da mesma forma, todos os domingos iam juntas para Cleice brincar com seus castelos de areia, sua brincadeira predileta, não tinha muitos colegas, preferia a solidão das suas construções de areias. Já sua Mãe, usava o tempo no parque para entender o que aconteceu com seu esposo, porque ele sumiu? O amor deles era considerado perfeito, e com o desaparecimento, tudo ruiu, o castelo desmoronou e a vida ganhou uma realidade estranha e esquecida. Com sua nova rotina de trabalho, não tinha tanto tempo com a filha, na semana acordava cedo com a Cleice, deixava na escola de tempo integral para ir trabalhar como secretária em uma multinacional, chegava do emprego junto com sua pequena, tomavam banho, jantavam e dormiam...
Naquela ida ao parque tudo ocorreu como o esperado, cada uma na sua dor e sozinha, na volta se depararam com um vira-lata perdido na frente do parque, Cleice ignorou e sua mãe também, e o cachorro as seguiu, quando menos imaginavam ele estava no portão da casa e passou a noite, quando elas saíram pela manhã, mais uma vez ignoraram. Com o passar dos dias, perceberam que ele não ia embora, deram comida, água, abrigo e quando menos imaginaram ele estava dentro de casa, apesar de ser da rua e ter uma carinha de cachorro velho, seu focinho já tinha uma barbicha branca, era da cor marrom com pelos espichados, batizaram o nome dele de CACHORRO, acreditavam que um dono poderia aparecer, então, não queriam confundir a cabeça no animal, e ele atendia normalmente quando chamavam – CACHORRO.
Quando Cleice chegava da escola, tomava seu banho, fazia sua lição e jantava, antes de dormir, tinha um passatempo com seu CACHORRO, os dois ficavam no quintal por uns 20 minutos, olhando a lua, ela pegou essa mania com o CACHORRO, desde o início sua mãe percebeu que ele tinha essa mania. Cleice acompanhou e adorou. Quando estava sentada olhando para a lua, sua imaginação ia longe:
“Imaginava que poderia abrir uma escada e ir até a lua. Quando chegasse na lua, seu pai estaria lá esperando por ela, ele construía uma máquina, que juntamente com a Cleice tinha batizado de Máquina do Silêncio. Uma máquina que quem entrava, teria sua mente passada e suas dores apagadas, resumindo, todo passado doloroso seria silenciado, nossas agonias e lágrimas não existiriam e muitos menos incomodaria nossa cabeça. Por isso, seu pai desapareceu, sua missão era vital para salvar a humanidade. Cleice realmente acreditava que isso poderia acontecer”
Quando CACHORRO começava a latir, significava que tinha que entrar, não poderia mais imaginar e sonhar, a realidade era dura e egoísta. Cleice escovava os dentes, ia até o quarto da sua Mãe, as vezes não entrava pois a via chorando e para não chorar, desistia de dar boa noite, voltava para seu quarto, beijava o CACHORRO e deitava, fechava os olhos e sentia o peso da saudade e a solidão arranhava seu corpo como uma entidade viva, logo, seus olhos desistiam e dormia COMO SEMPRE.

CONTÍNUA...




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