sexta-feira, 2 de junho de 2017

Do Luto a Luta




Esse documentário trouxe algo muito mais do que o que é a Síndrome de Down, mostrou a essência real de um sujeito portador dessa síndrome e aspectos como seu meio.

Prendendo- se no título “Do Luto a Luta” vemos um enfoque para a família, na questão de lidar com uma criança down, como foi à primeira reação e como é hoje e percebe-se uma unanimidade por parte dos pais em não haver problemas depois do choque da noticia, onde cada família teve seu momento de medo, surpresa, raiva, aceitação entre outros sentimentos que antes não vivenciado talvez pelos pais, mas que através dessas sensações veio uma onda de realidade e o sentimento de pais para com o filho, independente de serem ou não “normais” pela sociedade.

Refletindo sobre o contexto geral pode-se avaliar a questão de como os próprios sujeitos se vêem no mundo e a si próprio, onde é curiosa a diversidade de opiniões relembrando no momento em que a menina fala um pouco do preconceito que nos aprofundaremos mais a diante e ela sente esse preconceito e ainda alega que quando acontece ela sente nojo, ou também um casal que não se aceitam serem quem são e ainda dizem que Deus não deveria fazer pessoas assim. O homem que é bibliotecário e para ele não importa o que dizem se é regredido intelectualmente, ele mostra uma inteligência admirável entre outros testemunhos abordados no filme que possibilitou ter acesso aos sentimentos deles, como a menina que queria casar para ter relações com seu namorado e também se notam as relações deles com o próximo.

Voltando para o preconceito, hoje em dia mesmo com a inclusão nas escolas, não estamos totalmente isentos de sofre uma exclusão, como no exemplo da menina que sente nojo citado a cima.

Lino de Macedo refere no texto “fundamento para educação inclusiva” uma questão de classificação o que diz respeito ao sujeito comum e diferente dentro da escola e que por partes essa classificação é boa por questão de conhecimento, pois realmente é importante ter consciência do que é teoricamente diferente e como lidar de forma que não exclua esse sujeito, o que também pensando na classificação já é uma forma de separar essas pessoas.

Importante ressaltar no documentário da mãe que aponta um exemplo do parque dos brinquedos proibidos para crianças com limitações, o que não deixa de ser uma exclusão para elas interagirem com as outras crianças e aponta também à questão da segurança desses brinquedos o que ninguém pensa a respeito e muita das vezes nem tem conhecimento sobre.

Houve uma mãe que contou no dia em que chorou muito na escola, pois a professora havia lhe dito para seu filho chegar mais cedo e sair mais cedo da escola por questão dos pais que não iriam gostar da idéia de ter uma criança com down e não “pegaria” bem para a escola, mas será que realmente o problema estava apenas nos pais? O texto de Lino diz que devemos reconhecer nossos próprios preconceitos para trabalhar-lo e poder fazer assim um ensino realmente inclusivo. O que nota-se que os pais não são a favor de colocar seus filhos em escolas especiais, até porque eles além de perceberem o potencial de seus filhos, sabem da importância deles interagirem com o mundo logo cedo além de exigirem o que lhe são de direito.

Tratando-se das famílias do documentário pode-se dizer que mostraram apesar de tudo, bem acolhedora e afetuosa o que um rapaz até diz em um momento que precisa realmente do afeto e carinho.

E mesmo que a aceitação venha depois de digerir toda informação os pais pelos depoimentos mostram que antes de qualquer coisa são seus filhos, não importa se tenham síndrome de down. Uma mãe até cita que sua filha veio para ensinar sua família. Outro pai diz que não pensa na possibilidade de seu filho ter nascido sem a síndrome, pois é o filho dele e ele nasceu assim e que não há problemas nisso.

Nesse momento que vemos a essência do documentário, mesmo com toda dificuldade em relação a preconceito e outros aspectos sofridos do dia a dia, percebe-se a capacidade e o amor da família na superação e na luta. Nota-se o sujeito como ele é sem rótulos com suas especificidades, onde uns se aceitam e vivem como são e outros infelizmente acabam se levando pelas palavras e atitudes das pessoas ignorantes e se rejeitam de forma que ao casarem não pretendem ter filhos, mesmo dizendo que não querem por não ter paciência. Se não aceitam o que são, como podem aceitar o que produzem, mas mesmo assim ainda mostram a importância do pai no nascimento de um filho down em uma simulação de vídeo, onde o pai tem tanta capacidade e um papel como a mãe.
O que chama muita atenção em todo esse processo é a capacidade deles e como podem levar uma vida normal e esses pensamentos de preocupações da família de como irá ser o futuro do filho por justamente não tomar um verdadeiro conhecimento e já pensar nas dificuldades que são existentes, mas solucionáveis, já que de certa forma todos sofrem de algum modo preconceito e problemas na vida, mas isso não altera o potencial de ninguém inclusive dessas famílias e de seus filhos com síndrome de down.
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