quinta-feira, 22 de junho de 2017

Filme A Onda - Visão Psicanalista na formação de Grupo



O que é o grupo? Como ele adquire capacidade de exercer influencia tão decisiva sobre a vida mental do individuo? E qual é a natureza da alteração mental que ele força no individuo?


No filme ‘’A Onda’’ conseguimos perceber claramente o inicio da formação do grupo e como ele modifica o sujeito se adequando dentro do grupo. 

Podemos ter como exemplo o professor Wenger que individualmente  busca satisfação para seus impulsos, como o respeito perante ao alunos, a autoridade e obediência exercida na sala de aula, algo que um professor como um todo gostaria de obter.

No grupo A Onda eles quiseram eliminar as diferenças externar com uniformes, para que assim todos se sentissem incluídos, já com a convivência e trabalhos em conjuntos o que cada um pensava não ‘’fazia tanta importancia’’ pois reunidos o que importava era o pensamento grupal e o que era aceito nele.

"Num grupo, todo sentimento e todo ato são contagiosos, e contagiosos em tal grau, que o indivíduo prontamente sacrifica seu interesse pessoal ao interesse coletivo. Trata-se de aptidão bastante contrária à sua natureza e da qual um homem dificilmente é capaz, exceto quando faz parte de um grupo". (Freud).

Como, por exemplo, no jogo na piscina,  onde o jogador Marco que era muito individualista resolver cooperar no jogo, ajudando a equipe.  

Vemos claramente o personagem Tim, que ao perceber ser pertencente de um grupo muda radicalmente sua forma de agir e pensar, como queimar todas as roupas de marca, a noite quando todos estavam reunido colando adesivos e sobre em uma propriedade privada, onde todos apóiam, ou até mesmo quando acha que o professor Wenger corre perigo e tenta protegê-lo a qualquer custo.

A vontade do grupo de querer que todos sejam como A onda impedindo até de entrar na escola se não fizesse o gesto de saudação, ou colocar camisas brancas em todos e como impulso cruel excluir a todos que não eram a favor da Onda, mesmo que fosse alguém muito próximo de um integrante.

Bem no final do filme, quando Wenger resolve acabar com A Onda, no inicio da reunião ele mostra satisfeito com o resultado quando Marco resolve falar, o professor manda levar o aluno até ele e pergunta para um dos que levaram o que deveriam fazer com ele, o aluno sem saber ver que não sabia o porquê fez aquilo, apenas se submeteu as ordens de seu líder.

O individuo que faz parte de um grupo adquire, unicamente por considerações numéricas, um sentimento de poder invencível que lhe permite render-se a instintos que, se estivesse sozinho, teria compulsoriamente mantido sob coerção. Num grupo ele é colocado sobre condições que lhe permitem arrojar de si as repressões de seus impulsos instintuais inconscientes.

É muito nítido durante o filme perceber como cada indivíduo separadamente agir perante si e os outros, no momento em que se formou A Onda houve uma mudança significativa em cada um, uns mais que os outros. Tim, por exemplo, que agregou ao grupo como se dependesse dele para viver, outros já melhoraram sua postura em consideração as pessoas que os rodeiam. 

O ato final onde os alunos obedecem ao Wenger por um impulso, mas também com relação a Marcos começa a agir de forma antes jamais pensada, como quando foi conversar com sua namorada, Karo, que arruinou o jogo e no meio da discussão ele da uma tapa. Interessante que nesse momento ele teve uma percepção de que ele não era ele, A onda o havia moldado de forma hedionda onde o grupo era o mais importante que seu próprio querer. 

"O grupo é totalmente crédulo e aberto a influência. Não possui faculdade critica e o improvável não existe para ele. Os sentimentos de um grupo são sempre muito simples e muito exagerados, de maneira que não conhecem a dúvida nem a incerteza. Ele vai diretamente aos extremos, se uma suspeita é expressada, ela instantaneamente se modifica numa certeza incontrovertível, um traço de antipatia se transforma em ódio furioso". (Freud)

            Esse trecho que aborda uma parte importante do grupo, aqueles que são contra. Karo e sua amiga, por exemplo, faziam de tudo para acabar com o movimento do grupo, com isso transformasse numa guerra onde elas são excluídas e elas defrontam diretamente com o grupo em um sentimento de ódio, mas não pelas pessoas e sim em que elas se tornaram ao se envolver com A Onda, acreditamos que elas tentavam de alguma forma abrir os olhos dos integrantes e que não era apenas um meio de revolta por não ter agregada de forma satisfatória no grupo.

O que não se pode negar foi a dedicação, gasto de energia e amor ao grupo, ao objetivo em comum e vontade de vê-lo crescer que A Onda durante todo o percurso mostrou enquanto estiveram unidos, eles se viam iguais uns aos outros, no entanto quando o grupo se desfaz, que houve no momento em que Wenger, seu líder, disse que acabou, eles puderam sentir uma perda muito grande e automaticamente o que era unido por um propósito, se desvaneceu.
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

0 comentários:

Postar um comentário