sábado, 29 de julho de 2017

A LINGUAGEM DE ARTAUD



Quem define o que é e o que não é?

Muitos diziam que Antonin Artaud não se enquadrava na definição de literatura, pois suas palavras não eram simetricamente feitas com padrões, ele escrevia através do grito. Todas as palavras ali escritas tinham um significado único para si. Artaud escrevia com a alma.

Artaud gostava de desintegrar as palavras e recriá-las da sua forma com seu significado, pois isso, é a verdadeira manifestação do espírito, um sopro do espírito.

Artaud abolia qualquer tipo de gênero ou estilo de escrita, ele simplesmente escrevia o que queria dizer, o que sentia.
Assim como desconstruir o corpo e eliminar seus órgãos para reconstruir um novo ser, para Artaud, assim também era com as palavras, tudo na vida somos corrompidos em ordens, do que fazer e como fazer. Então porque não criar nossa própria forma de escrita?As palavras que vem de dentro, palavras que não são escritas na sua superficialidade, mas ir à raiz e encontrar seu verdadeiro significado.

Dessa forma no teatro, Artaud cria sua própria linguagem, a glossolalia, que seria para muito uma linguagem estranha sem sentido, mas na realidade é uma linguagem viva, com batimentos harmônicos cheios de impulsos viscerais que trás exatamente o que ele tanto propõe para o teatro da crueldade, não com sangue e terror como muitos imaginam, mas com a miséria do corpo e o sofrimento do ser.

A glossolalia era uma linguagem com um sentido superior , pois não são colocadas com palavras contaminadas, mas sim com a palavra pura.

Em seus internatos em manicômios, seu terapeuta incentivava a escrita como algo terapêutico, como que se ele precisasse expurgar sua “doença” nas palavras contidas dentro de si, mas o que vejo é um ser que expurgou sua não-vida transformando sua tragédia em uma literatura única.

Para Artaud o ator representava sua vida e o público seus nervos triturados, no fim de tudo seus textos eram cheios de explosões.

Artaud ao escrever ele deixava espírito falar, dizia que se o corpo precisa se desintegrar para alcançar um puro espírito a palavra é como um corpo para comunicação que precisa ser extinta.

Artaud não era um louco que não se enquadrava na literatura e escrevia apenas como método terapêutico, mas um espirito que gritava para ser ouvido.
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