sexta-feira, 28 de julho de 2017

SURTO


Um dia amanheci com a seguinte sensação, uma lembrança estranha de algo da noite anterior...
Querem me caçar...
Querem me caçar sem saber o que eu fiz...

O que eu fiz?
Vozes surgem de todos os lados, parecem zumbidos agonizantes dentro da minha cabeça...
– O que você fez?

Voz maldita sai da minha cabeça.   

– O que você fez?

Eu não sei o que eu fiz... Papo estranho! A voz prosseguia...

– Estranho papo, e o sapo?

– Sapo? Não sei, ele pula.

A voz afinou sua voz,

– Pula ele, vem logo.

Aquilo era estranho, eu deveria estar dormindo ainda...

Outra voz surge, uma voz conhecida desta vez, uma moça que anos antes tinha amado, até sua forma de vida ser extinta, esvaziada pelo sopro do enxofre...

– Amor meu! O que eu fiz? Por que me abandonaste...

Essa cobrança remoeu meu crânio. Eu gritei contra aquela voz feminina, voz de um amor esquecido.

– Não abandonei.
– Não, não, não abandonei.

Diferente da voz inicial, o desta mulher que um dia foi seda viajada, replicava:

– Eu vou atrás de você e do outro!

Eu rebati.

– Porque quer me caçar?

Surge a última voz, uma de criança feliz.

– Louco, louco, louco!

Um som foi subindo daquele lugar que eu vivia, sons debaixo da cama, sons de dentro do guarda - roupa, sons de dentro de mim, além daquele som inaudível, veio a palavra rica e querida.

SURTO. SURTO. SURTO.








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